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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Será?


Por que temos tanta certeza sobre o que é melhor para a vida dos outros sendo que muitas vezes, tomamos decisões erradas para nossa própria vida, mas ainda assim, acreditamos saber o que é o correto para o outro?
Lendo uma reportagem sobre Eutanásia x Milagre, fiquei espantada e revoltada com tamanho desrespeito e brutalidade com que pessoas completamente desconhecidas acreditam saber qual a melhor solução para um problema que não estão e nem jamais viveram. A matéria é sobre uma mãe que cuida, há mais de 10 anos, de sua filha que está em coma, em estado vegetativo. Sob pontos de vista diferentes, duas pessoas com idéias antagônicas acreditam ter a solução para o problema dessa mãe que cuida com tanta dor, amor, sofrimento e persistência de sua filha.
De um lado, um médico que defende o direito de uma pessoa em coma deixar sua vida tomar seu curso natural, o que seria no caso a ortotanásia, onde se deixa acontecer a evolução de uma doença, sem interferência da ciência, para chegar a morte natural. Ou seja, pede para a mãe parar de prestar toda a assistência e cuidado com a filha e a deixe, por assim dizer, a seu destino para que a natureza faça o resto. De outro lado, uma religiosa que acredita que o correto é a mãe ter fé de que é possível o milagre da cura de sua filha. Bastaria apenas levar a filha à igreja para que ela fosse curada, não se esquecendo do detalhe de que é preciso ter fé, pois se uma tragédia não for revertida, o culpado, no caso culpada, seria a mãe, por não ter fé suficiente.
São apenas pontos de vista, opiniões de pessoas que como eu disse antes, completamente desconhecidas, que se colocaram no lugar da mãe. E ainda ousam dizer que se a mãe ama a filha de verdade, ela precisa tomar a decisão correta. Lembrando claro que para cada um, a sua própria decisão é a correta. Não levam em conta que além de estar passando por todo esse sofrimento, a mãe também tem uma opinião, dolorosa e difícil que precisa ser tomada não só para ela, mas para sua filha que já não tem mais o poder da decisão.
É um assunto delicado e complicado de se falar, porque por mais que nos coloquemos no lugar da mãe, ou até da filha, para "decidir" o que poderia ser melhor para elas, jamais iríamos viver o sofrimento dessa mãe. Porque se imaginar no lugar de uma pessoa, pode-se até chegar perto de entender o sofrimento, mas jamais sentir igual. Porque estar de fato é completamente diferente de se imaginar igual. E todo o resto que eu poderia falar sobre isso já é especulação porque existem coisas na vida que só entendemos como realmente é, quando vivemos.
E isso vale não apenas em casos de vida ou morte, mas em qualquer ocasião. Não é atoa que nossa dor parece as vezes tão maior que de outrem, é nossa dor e apenas quem sente sabe como é. Por mais que tentemos explicar como é, ou que outro se coloque em nossa pela, ele pode no máximo imaginar, mas jamais sentir pra poder julgar e dar o veredito final. Pena que temos tanta mania de acreditarmos estar com a razão.. sempre com a razão.
Créditos: Imagem do post

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Be different!

O que exatamente é ser diferente? Quem define o que é correto ou errado? O que não é igual, que é divergente do padrão, sendo padrão o modelo oficial, aquilo que serve de base ou norma para avaliação de qualidade. Esse padrão é definido socialmente e quem foge dele é excluído. As pessoas tem o hábito de criar um alvo, escolher alguem para descontar as frustrações, principalmente para fugir dos defeitos próprios.
Porque não podemos ser como somos? Mas o pior é ser diferente, não por escolha, mas por ter de alguma maneira, seja nascido, seja acidentalmente, se tornado diferente. Eis então a necessidade de se trabalhar a inclusão.
Um dos critérios que deve ser usado para trabalhar a inclusão é parar de se preocupar com as diferenças e valorizar as habilidades, motivando a potencialidade do individuo. E junto com a família, a escola tem importante papel nessa etapa, pois geralmente é na escola que começa a vida social de uma pessoa. E essa socialização precisa ser inclusiva para assim, a escola formar pessoas, apesar de diferentes do "padrão", com autonomia e confiança em si próprias.
Estou estudando sobre Inclusão: teoria e prática. Acessando o fórum de discussão sobre o tema, encontrei um trecho de ASCLEPIO (Médico, sociólogo, professor, contador de histórias, político contra partidos) - Publicação: November 01, 2006. Acho que vale a pena ler e refletir, então segue abaixo:

"A EXPRESSÃO infanticicidio do latim infanticidium sempre teve no decorrer da história o significado de morte de criança, especialmente no recém-nascido.
No império romano e também em algumas tribos bárbaras a prática do infanticídio era aceite para facilitar a distribuição de comida pela população. Eliminando-se crianças, diminuia-se a população o que permitia um controle administrativo distributivo por parte dos governantes.
Na actualidade a India é um país onde há elevado indice de infanticídio feminino, o que gerou um desiquilibrio entre os sexos na população de actualmente 50 milhões.
É também prática corrente na China em consequência da politica demográfica, vitimando sobretudo as crianças do sexo feminino.
A psicose pós-parto é reconhecida como intrumento legal de defesa em pelo menos 30 paises, nomeadamente quando os filhos têm menos de um ano de idade.
Peter Singer, Professor de Bioética na Universidade de Princeton, no seu livro "Ética Prática", vem provocar a comunidade internacional ao rever o conceito pessoa, a partir do qual defende a ideia de que só se deve viver uma vida qua valha a pena ser vivida. Incómodo e polémico argumenta que a vida de um feto (e de um embrião) não possui mais valor que a vida de um animal que para o mesmo apresenta um nível semelhante de racionalidade.
Considera o infanticidio moralmente justificável nas crianças com severas deficicências intelectuais. Vai mais longe ao considerar qua alguns animais são mais inteligentes que alguns seres humanos nomeadamente com grave dano cerebral, pelo que se devem tratar com igual ou até menos consideração. Considera inclusivamente que os animais têm mais direito à vida que estes seres humanos.
Também John Harris, membro do comité de ética da Associação Médica Britânica durante um debate veio sugerir que não há diferença moral entre abortar um feto e matar um bebé. Defende o infanticidio nos casos de uma criança com desordem genética que não sejam detectadas durante uma gravidez, considerando a situação moral, aceitável e admissivel à luz dos conhecimentos actuais.
Tudo a propósito de duas questões: uma o facto de em Portugal se reiniciar a discussão sobre a interrupção voluntária da gravidez em referendo, com todo o aproveitamento politico que nada trará de util a uma discussão pública (o Parlamento tem instrumentos para regulamentar permitindo uma poupança economica que só enriqueceria o país).
A outra situação: recentemente foi reanimada no Hospital da minha área uma doente oligofrénica, mongoloide (sindrome de Down) com 38 anos (acima da idade média de sobrevivência). Foi ligada a um ventilador, devido a uma pneumonia.
Tem tido uma evolução favorável. Ligada ao ventilador delirei com o seu sorriso de criança, infantil mas de felicidade presente muitas vezes ao longo das 24 horas. Nesses momentos será que é um ser pensante? e se é o que pensará? É lindo de se ver.
Estou confuso com a leitura dos eticistas, desiludido com algumas ideias, mas também pensativo:
Deveria a doente ter sido morta à nascença? Foi ético ter sido reanimada e ligada a um ventilador com a idade avançada para a doença que tem? Se estou confuso, não me confundam mais... E aquele sorriso?"
Outro dia ainda volto nesse assunto do trecho citado acima para falar um pouco sobre o desenvolvimento de crianças em seus primeiros meses de vida. É um assunto um pouco extenso então melhor deixar pra depois. =]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Voltar a ser criança..


"O melhor que existe no mundo são as crianças"
Fernando Pessoa

Eu iria falar sobre cuidados que os profissionais da educação infantil devem ter com as crianças, desde a iniciação do bebê no ambiente educacional, seja na creche, seja na escola de educação infantil. Eu iria falar também sobre algumas práticas que deveriam ser melhoradas nas escolas, onde muitas vezes a capacidade dos pequenos é subestimada. São tantas coisas que iria falar, mas devido a alguns ocorridos, hoje vou falar o quanto é bom ter uma criança por perto, o quanto podemos mais que ensinar aprender com elas.
Feliz foi Fernando Pessoa onde em seu poema "Liberdade" escreveu o verso acima, se formos pensar nisso, ele tem razão no que escreveu
. As crianças são pessoas que todos nós adultos já fomos um dia, e que infelizmente com o decorrer do tempo, adquirimos hábitos tão ruins.
Criança é sincera, fala o que pensa, e se as vezes diz algo "ruim", sua intenção nunca é prejudicar ou magoar alguém, pelo contrário, é somente para esclarecer algo ou tirar alguma dúvida. Criança é amiga, diferente dos adultos, ela é sem interesse mesmo, apenas pelo simples fato de amar de verdade. Criança não tem vergonha, podemos perceber isso em alguns de seus atos, que as vezes achamos tanta graça, mas para ela é uma coisa absolutamente normal. Criança tem inocência, acredita, confia, vive com intensidade cada momento. Às vezes ainda nem sabe da existência da morte e ainda assim consegue aproveitar cada momento de sua vida, todos os momentos são especiais.
Porque será que quando a criança cresce se torna tantas vezes tão diferente de sua essência inicial? Por que será que existem pessoas que quanto mais estuda, pior fica, no sentido de excelência humana? Torna-se mais arrogante, orgulhoso, esquece o que é praticar o bem pensando no bem para todos e não o bem próprio?
A cada dia que passa, acredito que deveria ser diferente, os adultos deveriam aprender com as crianças e não o contrário.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ética


Gostaria de começar o blog com um assunto que estou estudando agora e que faz parte de nossa vida, a ética. O que é ética? Uma disciplina tradicional da filosofia, também conhecida por filosofia moral, que enfrenta o problema de saber como devemos viver. Há elos que ligam os conceitos de Ética defendidos por Sócrates – a noção que basta saber o que é o Bem para praticá-lo. Por Platão – segundo o qual é essencial conhecer a Idéia Geral do Bem. E por Aristóteles – para quem o Bem equivale à moderação das paixões. Todos os três estabelecem como fonte da Ética a noção que a Felicidade (entendida no sentido mais amplo da eudaimonia) era a recompensa dos virtuosos.
Gostaria de recomendar um livro que fala sobre os princípios éticos, de Gabriel Chalita. O livro Os Dez Mandamentos da Ética, onde ele nos ensina de forma bastante descontraída os princípios éticos para uma vida profissional e pessoal. Para quem quiser saber mais sobre o livro e o autor, tem uma palestra onde ele faz um resumo geral do livro e sobre o assunto ética. Vale a pena!