Pages

Mostrando postagens com marcador estudos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estudos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Resilience


"Quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando não é favorável devemos transformá-la e quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos."
                                                                                                                           Viktor Frankl


Há algum tempo atrás, por volta de dois anos, eu postei algo relacionado ao que irei falar hoje. E isso porque esse assunto, no momento, tem me interessado novamente, resiliência. De acordo com estudiosos do tema, a origem do termo pode ser discutida sob três pontos de vista: o físico, o médico e o psicológico. Eu poderia acrescentar mais um, não teórico, que é utilizado em jogos. Nesse quarto ponto, o individuo adquire resiliência através de itens e encantos para diminuir o dano crítico dos oponentes. Mas, já falei sobre isso então voltemos à teoria.
No primeiro ponto, a resiliência é a qualidade de resistência de um material ao choque, à tensão, à pressão, a qual lhe permite voltar, sempre que é forçado ou violentado, à sua forma ou posição inicial - por exemplo, uma barra de ferro, uma mola, elástico etc. No segundo, a resiliência seria a capacidade de um sujeito resistir a uma doença, a uma infecção, a uma intervenção, por si próprio ou com a ajuda de medicamentos. Já no terceiro ponto, a resiliência também é uma capacidade de as pessoas, individualmente ou em grupo, resistirem a situações adversas sem perder o seu equilíbrio inicial, isto é, a capacidade de se acomodar e reequilibrar constantemente. 
É preciso acrescentar ainda o fato de que toda e qualquer pessoa passou ou passará por algum tipo de dificuldade, seja no âmbito emocional, social, físico ou econômico. Isso, para reforçar a tese do senso comum de que não há uma existência humana plenamente feliz e completamente protegida das incertezas da vida.
Observando pessoas em várias situações, surgem muitas perguntas. Como algumas pessoas conseguem enfrentar situações adversas ao desenvolvimento humano? Por que alguns são mais vulneráveis que outros diante de situações de risco? Por que outros indivíduos apresentam invulnerabilidade e competência para manejar situações estressantes? Como alguns seres humanos podem se recuperar de grandes perdas materiais e/ou emocionais? Quais seriam as variáveis que possibilitam a alguns superar seus infortúnios de forma a estes não interferirem no desenvolvimento emocional posterior?
O conceito de resiliência está envolto em ideologias relacionadas à noção de sucesso e de adaptação às normas sociais. No entanto, esta noção funda dois grupos: os resilientes e os não-resilientes. Porém resiliência não se trata de resistência absoluta às adversidades. O nome disso é bolha. Em palavras simples, é um fenômeno no qual a pessoa, apesar das dificuldades e adversidades, consegue "dar a volta por cima" e ficar bem de verdade posteriormente.
J. Tavares em seu livro A resiliência na sociedade emergente afirma que “Ajudar as pessoas a descobrir as suas capacidades, aceitá-las e confirmá-las positiva e incondicionalmente é, em boa medida, a maneira de as tornar mais confiantes e resilientes para enfrentar a vida do dia-a-dia por mais adversa e difícil que se apresente”.
Estudando sobre o assunto, percebe-se certa concordância entre os autores que afirmam a importância de uma Instituição, sendo a própria família ou não, na construção e desenvolvimento da resiliência em conjunto com a própria pessoa.
O conceito de resiliência não se trata de uma espécie de escudo protetor que alguns indivíduos teriam, mas a possibilidade de flexibilidade interna que lhes tornaria possível interagir com êxito, modificando-se de uma forma adaptativa em face dos confrontos adversos com o meio exterior. Assim, resiliência não seria uma forma de defesa rígida, ou mesmo de contrapressão à situação, mas uma forma de manejo das circunstâncias adversas, externas e internas, sempre presentes ao longo de todo o desenvolvimento humano.
 A pessoa resiliente parece de fato salientar-se por uma estrutura de personalidade precoce e adequadamente diferenciada, a par com uma acrescida abertura a novas experiências, novos valores e a fatores de transformação dessa mesma estrutura, que apesar de ser bem estabelecida, é flexível e não apresenta resistência à mudança. Aliás mudança talvez seja a palavra-chave pois, como já nos disse Viktor Frankl, citado no inicio do post, é necessário mudar a circunstância quando não nos é favorável e mudar a nós mesmos quando a situação não pode ser mudada. E isso é possível pois o ser humano está em constante mudança para uma melhor adaptação às condições, muitas vezes impostas, para sobreviver. E assim tem ocorrido por muitos séculos não é?
Mas, voltando à uma pergunta feita anteriormente, por que alguns são mais vulneráveis que outros diante de situações de risco? Diversos autores concluíram em suas pesquisas que, a capacidade de amar e ser amado, trabalhar, ter expectativas e projetos de vida denota ser a base onde as habilidades humanas se apoiam para serem utilizadas diante das adversidades que todos enfrentamos, seja em maior ou menor intensidade, durante toda a vida.
Got it?

sábado, 25 de junho de 2011

Questões de gênero


Depois de assistir um episódio da série Law & Order SVU e refletir muito sobre esse assunto, resolvi escrever sobre. E antes de continuar a leitura, saiba: Spoiler content!
O episódio conta a história de um acidente fatal de um jovem de uma gangue. Após algumas investigações foi encontrado o autor do crime, um jovem de uma outra gangue que tinha uma irmã gêmea, Lysa (se não me engano era esse seu nome). No interrogatório ele nega a autoria do crime, mas tem possibilidade de ser preso pois nas investigações, foram colhidos materiais e realizados testes de DNA, onde comprovou sua participação. Lysa, ao perceber que ele está para ser preso, ataca os detetives e vai com ele, os dois detidos, para a delegacia. Lá ela confessa que na verdade foi ela a autora do crime. Mas apesar de a história contada ser  bastante convincente, não é possível acreditar em sua versão devido ao exame de DNA onde havia marcas do irmão e não dela. Mais investigações são realizadas e são descobertos alguns fatos bizarros mas inexplicáveis até então. Por fim, descobre-se que de fato eles são gêmeos idênticos (gêmeo idêntico = DNA idêntico) e que a irmã, é na verdade irmão.
Os pais explicam que, quando eles nasceram, foi realizado o procedimento de circuncisão nos dois mas no Lucas (que se tornou Lysa) ocorreu um problema na cirurgia, que foi um fracasso, fazendo com que o órgão ficasse 'aleijado'. Pensando em todo o sofrimento que o filho teria em toda sua vida, por todos os constrangimentos que passaria nos vestiários da escola e até com namoradas, os pais, com a opinião do médico cirurgião, decidiram que Lucas seria criado como Lysa e que assim ele não sofreria nenhum trauma porque não saberia o que era, pois na verdade não seria o que nunca foi ensinado a ser.
Pois bem, esse episódio me fez lembrar de um outro fato, e nesse caso fora da ficção. Uma criança sueca de nome fictício Pop, que seus pais decidiram não definir gênero masculino ou feminino para ela, afirmando que tomaram essa atitude baseada na filosofia feminista de que gênero é uma construção social. De acordo com os pais da criança, caberá a ela decidir se é menino ou menina, quando bem entender.
E com isso, volto a me lembrar de Simone de Beauvoir, que já nos disse que “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”. Ou seja, mesmo pensamento sobre gênero ser uma construção social. Você é o que você é ensinado a ser. Não sei quanto a Pop, até porque ela é ainda uma criança, hoje com quase 5 anos. Dificil saber as consequências que ela terá futuramente em relação a vida que está aprendendo (ou não) a viver para se tornar um adulto.
Ao menos no caso de Lysa da série, apesar de ser ficção, ela não era uma pessoa feliz, pois por mais que não soubesse da verdade sobre o que aconteceu quando nasceu, ela não se sentia normal, sentia que era diferente mas não sabia em que exatamente. E claro, para concluir o spoiler, quando ela soube de toda a verdade, decidiu voltar a ser o que era por essência biológica, homem.

Muitas pessoas, estudiosos também, concordam com essa teoria de que gênero é uma questão de construção social e que a pessoa não nasce com um gênero determinado biologicamente, mas torna-se aquilo que ela foi orientada a ser. Bem, eu não sei de nenhum caso e espero profundamente que não exista de alguém que foi orientado a ser diferente do padrão inicialmente estabelecido para ser. Por exemplo, uma menina, que nasceu menina mas foi "criada" como homem, para acreditar que era realmente isso. Não conheceço nenhum caso que comprove essa teoria do gênero.
Porque acredito e muito que somos o que fomos condicionados a ser, mas em outros aspectos, por exemplo o do politicamente correto. Agora, dizer por exemplo, que eu sou mulher porque me ensinaram a ser isso, realmente não concordo. Porque tenho como exemplo minha própria vida. Sempre gostei de subir, brincava de boneca mas preferia carrinhos e brincadeiras "violentas" que normalmente eram brincadas por meninos. Normalmente faço o "serviço de homem" em casa e nem por isso me sinto menos feminina. Aliás, isso é uma coisa que tenho certeza, sou exatamente o que nasci para ser. Constatado e comprovado até mesmo pela experimentação do oposto.
Existem muitos outros exemplos de instintos pré definidos pelos gêneros. Meninas, como minha filha, a quem eu nunca apresentei maquiagem, sempre que tem oportunidade, quer usá-la. Meninos que repelem , às vezes inconsientemente, hábitos conhecidos por serem femininos. Aí você pensa: ah, mas se ele repele um hábito feminino é porque sabe que não é mulher e logo não pode/deve fazer aquilo (condicionado mesmo que inconcientemente).
Vejamos crianças brincando, supervisionadas mas com liberdade para escolher a brincadeira ou brinquedo. É totalmente natural se meninos quiserem brincar de bonecas mas isso não significa que ele tenha qualquer tendência a ser diferente do que querem que ele seja, um homem.
São instintos mínimos, por exemplo o de querer ficar perto do que elas sentem como igual, em relação a gênero, que as crianças apresentam constatando assim que não são os outros que ensinam que elas são meninas ou meninos, não totalmente mas, muito antes, são desejos internos e naturais que certamente já são determinados na formação.
Como prova temos muitos casos de homens que já relataram que, desde muito cedo, se sentiam diferente dos outros iguais pelo gênero. Tinha vontades diferentes das que eram condicionadas a ter. Ou seja, por mais que foram condicionados a serem homens, não foram capazes devido à essência interior, aquela inicial, da formação.
Bem, acho que já escrevi muito para tentar expor meu ponto de vista sobre tudo isso. Vou finalizar por aqui, aproveitando para dizer que, estou quase de férias e pretendo dar uma fugida daqui. Não sei se volto até porque estou quase me formando (êêê) e o propósito inicial desse espaço era treino e mais treino de escrita ne? Ainda não considero bom mas felizmente melhor =P
Então é isso, gosto dessa palavra então deixarei para vós:
HIATUS =)

PS: O episódio da série Law & Order SVU citado é o número 12 da 6ª temporada - "Identity".

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Why do we do that?


Pensando sobre um assunto, estudando na matéria que infelizmente está acabando, lendo e até vendo em filmes, resolvi escrever sobre para tentar esclarecer um pouco mais, acho que mais pra mim mesma.
Para começar devo afirmar que nunca gostei (talvez pela maneira que me foi apresentado inicialmente, acredito que de forma forçada) dos filmes de Matrix. Apesar de já ter visto os três, nunca havia me interessado pela estória, pela idéia, enfim, pelo filme. Por nenhum deles. E já ouvi várias analogias da estória do filme como o personagem principal ser comparado com Jesus ou com o anticristo. Várias, muitas mesmo, citações em assuntos de simbologias e afins. Enfim, muitos motivos a mais para eu não me interessar pelo filme. Acho que pela polêmica que causou.
Mas como disse, lendo e estudando sobre esse assunto, me chamou a atenção o fato de o filme, a meu entendimento, conter um pouco disso. Disso o que? Sociedade, influência, dominância, padrão, certo e errado. Enfim, na verdade são vários assuntos que estão interligados e que a meu ver, o filme consegue mostrar de forma clara. Minha intenção nesse post não é falar de Matrix, apenas citar uma parte importante, a essência. Devo me adiantar que nada do que eu disser aqui deve ser considerado como o certo, apenas o meu ponto de vista, o meu entendimento a respeito de tudo o que eu disser.
Todos que já assistiram Matrix devem saber sobre a questão central do filme, sair da Matrix. O significado disso, todos devem saber também, é referente a querer ser diferente, a não ter que "engolir" tudo que nos é imposto coletivamente. O fato de o personagem principal ser "O escolhido", é por ele ser alguém crítico, que não é conformado com apenas o que lhe é ensinado como o correto para se ter uma vida em sociedade. E mais do que isso, quando a verdade lhe é apresentada, ele acredita que é capaz de ser/fazer diferente. Ele acredita e faz. Eis o motivo de ser o escolhido.
Uma vez alguém me disse que acredita estar vivendo em uma prisão, onde tudo já está determinado, desde o nascimento. Uma vida onde você precisa estudar para conseguir trabalhar e se sustentar. Uma vida onde não se pode ser diferente do que foi determinado como o correto para se "viver bem". Mas o que é uma vida em sociedade senão seguir regras e normas? Cada sociedade tem uma cultura, muitas vezes tão diferente da nossa, e por isso cada sociedade é diferente uma da outra. Agora pensando mais afundo, independente da cultura, existem padrões que são impostos  pela sociedade como correto ou errado que as vezes, são (im)possíveis mudar, diferir. São fatos que não podem ser mudados pelo fato de a pessoa não acreditar ser possível e fatos onde muitas vezes é preferível permanecer para ser aceito, pois normalmente quem difere é excluído.
Já nos disse Simone de Beauvoir, em seu extenso estudo sobre o verdadeiro significado da condição feminina que, “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”. Em resumo, tudo o que somos, é apenas o que fomos ensinados e moldados a ser. Afinal, esse é o papel da sociedade não é mesmo? Como diz Pink em sua música: "Done looking for the critics cause they're everywhere. They don't like my jeans, they don't get my hair. Stringe ourselves. And we do it all the time. Why do we do that?" Apenas porque assim fomos ensinados. Sim, somos ensinados a seguir um padrão, aprendemos em casa, na escola, no trabalho, na mídia (oh, como ela gosta de nos ensinar isso!), na rua, enfim, em nossa sociedade.
Mas agora voltando ao escolhido de Matrix. Ele foi o que foi porque foi o único capaz de acreditar de verdade em tudo que foi capaz de fazer. Vou tentar explicar usando como exemplo um hipnoterapeuta que certa vez soube de uma pessoa que estava com uma doença de pele. Infelizmente não consegui localizar a matéria sobre o fato para linká-la mas vamos lá. Ele usou hipnoterapia para curar o indivíduo. Quando o médico do paciente soube da notícia, a principio achou impossível ter realmente ocorrido pois a doença era incurável. Muitas pessoas, quando souberam disso, procuraram o hipnoterapeuta para conseguir a cura. Mas, infelizmente ele soube pelo médico que a doença era incurável e nunca mais conseguiu curar novamente. Por que não? Porque o médico disse que não era possível, pois a doença era incurável. Sua mente que antes desconhecia o fato, acreditou e fez mas, apartir do momento que recebeu a nova informação, ficou condicionada a ela.
Já vi por aí muitas pessoas que acreditam que você é o que você acredita ser. Que você faz o que acredita ser capaz, sendo acreditar algo muito mais profundo que apenas dizer "eu acredito", algo que em Matrix, apenas um foi capaz de crer tão profundamente que foi capaz de não acreditar em sua morte e não morrer mesmo "estando morto". Aliás, para quem pensa assim também, recomendo uma leitura. E que seja lida preferencialmente com a mente bem aberta.
O fato é que de fato somos condicionados a tantas coisas pela sociedade (e digo pela sociedade não criticando mas, é nela que vivemos, logo é ela quem nos condiciona) que fica difícil viver. Penso como as pessoas aceitam tantas coisas, penso como eu aceito tantas coisas inaceitáveis na minha concepção. É mais cômodo apenas aceitar e continuar seguindo mas, um dia vai ter que ser diferente.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta. A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto... Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém. - John Lennon

domingo, 8 de maio de 2011

Amor platônico

O amor platônico é entendido como um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve. Reveste-se de fantasias e de idealização. O objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem máculas. Ocorre frequentemente na adolescência, principalmente nos indivíduos mais tímidos, introvertidos, que sentem uma maior dificuldade de aproximar-se do objeto de amor, por insegurança, imaturidade ou inibição do ponto de vista emocional. Quem nunca passou por isso?

Conta-nos Platão em "O Banquete" uma conversação acerca da natureza, do sentido e as implicações do amor. Teve como participantes Apolodro, Fedro, Agatão, Sócrates, entre outros. Eles fazem várias descrições de amor, todas unilaterais, embora não falsas, até chegar a vez de Sócrates. Sócrates diz que em sua juventude, ele foi ensinado "a filosofia do amor" pela sacerdotisa Diotima.
Ele fala sobre o surgimento de Eros. Mas antes, vale-se saber que na mitologia grega, Eros era o deus primordial do amor e beleza. Na mitologia romana, foi conhecido por Cupido. Na Teogonia de Hesíodo Eros, que mais tarde se chamaria amor, era um deus primordial, ainda não havia masculino e feminino e Eros expressava o impulso do universo em se manifestar, de trazer à luz o que estava oculto na escuridão. Em alguns mitos, Eros é o filho das divindades Afrodite e Ares. Nesse diálogo, Sócrates nos apresenta uma terceira versão de Eros. Suas idéias são a origem do conceito de amor platônico.
Acontece que o amor platônico é o mais incompreendido de todos os conceitos de Platão. As pessoas, que em sua maioria não conhecem a obra de Platão, pensam que amor platônico significa amor ascético ou assexuado porém isso não é verdade pois em "O Banquete", Platão apresenta o amor sexual como um ato natural, mas com raízes infinitamente mais profundas.
Para ele, o amor é um princípio cósmico, afirma que o amor é uma escada com sete degraus, que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo. O passo inicial nessa escada, para a maioria das pessoas, ocorre através do amor físico. Mas se você se apaixona por uma pessoa, atraída por qualidades e fixa-se exclusivamente nessa pessoa, nesse primeiro degrau de uma escada que possui muitos outros, permanece parado, em comparação a tudo que uma pessoa pode vir a ser.
Quando você está apaixonado, é como se o universo estivesse concentrado na outra pessoa. Isso não é necessariamente falso. Platão diz que, em certo sentido, o universo realmente está nessa pessoa. Você só precisa transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.
O amor platônico é tão amplo e universal que, embora comece como amor pela forma bela, termina como o amor pela própria beleza, um princípio eterno do universo. Você é levado, de um modo muito natural, a perceber que todas as formas belas são dignas de amor, se torna sensível a todas elas. Platão emprega constantemente o termo beleza; a beleza das idéias toma-se tão ou mais real que a beleza física.
Amor e beleza estão ligados. Você vê beleza quando está amando. À medida que progride, você sente por todas as formas belas a espécie de exaltação que experimentou quando se apaixonou pela primeira vez. Quando permite que o amor o leve para a frente, você sai do particular em direção ao múltiplo.
Em seguida, você vê que a beleza da mente é mais maravilhosa que a beleza da forma. Platão afirma que você se apaixona pela qualidade da mente de uma pessoa mesmo que sua forma física não seja tão graciosa. Essa é uma progressão do concreto para o imaterial, sob a influência e inspiração do amor.
Então na escada do amor temos o segundo degrau que é amar todas as formas físicas belas. O terceiro que é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada. O quarto degrau que é a ética - o amor pelas práticas belas. Envolve integridade, justiça, bondade e consideração. É um passo mais abrangente e universal. Ele conduz ao degrau número cinco, que é o amor pelas instituições belas. No sexto passo você se apaixona pela ciência, que articula não só as leis que governam o indivíduo, a família e a sociedade, mas algo que transcende o meio local. A beleza da ciência é universal.

Depois de passarmos por todos os degraus, ocorre, no sétimo passo, uma diferença de gradação; subitamente você vê não a manifestação da beleza, mas a beleza em si. Esse é o ponto alto dos sagrados mistérios. O amor se expressa como a manifestação eterna da beleza em si. Você se apaixona pela essência que torna belas todas as coisas.
Por isso, os seres humanos certamente valorizam a experiência do amor e do sexo. Por meio de um amor sexual intenso, cada um de nós experimenta por breves momentos a autotranscendência e a abnegação. No sétimo degrau da escada, essa autotranscendência, que era breve e momentânea, transforma-se no estado natural onde passa-se a habitar em tempo integral.
 
Enfim, é certo que muitos de nós (para não dizer todos) já passou ou passa por uma situação de amor platônico semelhante à citada no início desse post, mas poucos são os que conseguiram subir a escada até o final. A verdade é que hoje em dia a moda é parar no primeiro degrau, no amor idealizado e egoísta. Felizes foram os poetas da era clássica ter a possibilidade de realizar o desejo amoroso mas, por opção, renunciar a ele. Apenas para provar que o amor (perfeito e eterno) está acima do desejo (físico e circunstancial).
Infelizmente, o que acontece hoje, em muitos casos, é o relacionamento físico apenas como meio para se obter prazer e/ou algum benefício. Como seria muito melhor se as pessoas conseguissem chegar ao menos na metade do caminho, na metade da escada, muita coisa seria diferente. É triste ver o rumo que nosso planeta está tomando, lamentável.
 
Para finalizar esse post que já está querendo mudar o foco quero parabenizar aquelas que são o símbolo do amor puro e incondicional, as mães. Parabéns para nós!
 

 
See ya!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pensamento mítico


Olás, quanto tempo?
Estudando filosofia, deu vontade de escrever sobre um assunto que muito me agrada, mitos. Muitas pessoas definem os mitos como histórias desconexas, como fantasias criadas sem qualquer relação com a realidade ou como um conjunto caótico de superstições. Mas será apenas isso? Para tentar explicar o que quero dizer, vou usar como exemplo uma das melhores mitologias na minha opinião, a grega.

"Cora, filha da deusa das colheitas, Deméter, brinca pelos campos verdejantes da Grécia. Cora é uma adolescente cheia de vida. Ela corre, pula, brinca com as flores e com as borboletas. Mas Cora não sabe que está sendo observada. Perto dali, Hades, deus do subterrâneo, observa Cora brincar e pensa: que bela adolescente essa Cora!
Hades então resolve raptar a doce Cora. Ele coloca em movimento sua carruagem puxada por dez fortes cavalos e parte em sua direção. Cora, ao perceber o que se passa, corre, mas em vão. Hades toma Cora em seus braços e a leva. No mesmo momento se abre no chão uma grande fenda e a carruagem desce para o centro da terra.
Ao cair da noite, a mãe de Cora, Deméter sente sua falta e sai a sua procura. Dois camponeses que presenciaram a cena contam-lhe o que aconteceu. Deméter fica louca de dor e, desconsolada, proíbe que as plantas, o capim, as árvores, as frutas e os cereais cresçam.
Os camponeses ficam preocupados e tristes pois sem o crescimento das plantas, eles iriam perecer. Eles imploram aos deuses para que o verde retorne. Os deuses pedem para Deméter deixar a vegetação crescer, mas ela estava irredutível: nada crescerá ou voltará a florescer enquanto Cora não voltar.
Zeus resolve intervir. Manda o mensageiro Hermes ao mundo inferior falar com Hades para trazer Cora de volta. Mas ela só poderá voltar se não tiver comido nenhuma comida do reino do mortos. O jardineiro informa a Hermes que ela havia comido sete sementes de romã. Dessa forma, Cora não poderia voltar. Mas Deméter não volta atrás de sua decisão e não permite que nada floresça.
Zeus então estuda o problema e propõe uma possível solução para o impasse. Como ela comeu apenas sete sementes de romã, durante seis meses Cora ficará morando com Hades no subterrâneo, será sua esposa e se chamará Perséfone (aquela que causa destruição). Durante os outros seis meses, Cora voltará e passará em companhia de sua mãe Deméter.
Quando Cora está com sua mãe, esta fica muito feliz. Nesse período, a natureza reflete a felicidade de Deméter: a terra está coberta de verde com flores e frutos.
Quando vai se aproximando o momento de Cora partir, sua mãe vai ficando triste e a vegetação também começa a mudar.
Quado Cora retorna ao subterrâneo com Hades, as folhas começam a secar e a cair. As plantas e os frutos cessam de crescer e nada mais floresce. Até o Sol não brilha com a mesma intensidade de outrora.
Quando novamente se aproxima o momento de Cora voltar, sua mãe vai ficando alegre e a natureza começa a florescer novamente e assim sucessivamente."

Consegue entender o significado desse mito? Percebe como esse mesmo fenômeno foi abordado e explicado pela ciência de forma "lógica" e concreta? As vezes acho que a ciência veio apenas para acabar com a "magia" dos acontecimentos. Mas enfim, concluí-se que mitos/mitologias não são histórias desconexas nem fantasias criadas sem um motivo.
O pensamento mítico é anterior a filosofia. Quando a filosofia surge, na Grécia antiga, ela se depara com um mundo povoado por concepções míticas. Um mundo "povoado" por deuses, deusas, heróis e monstros. O mito era uma forma de explicar o mundo, de atribuir sentido ao existente e assim tranquilizar o ser humano.
E os mitos não foram produzidos apenas na Grécia antiga. Diferentes povos, em diferentes épocas produziram seus próprios mitos. Como se sabe, existem várias mitologias além da grega. Aqui no Brasil por exemplo, temos fatos de mitos criados por tribos indígenas. Lembra-se de tantas dessas histórias que fizeram parte de nossa infância? Ao menos na escola, tenho certeza que fez presença na infância de todos que nela frequentou. =P
O ponto comun entre as diferentes concepções míticas é a busca por dar sentido ao mundo, dar uma explicação para os muitos fenômenos desconhecidos, pois o problema sobre o conhecimento sempre preocupou o ser humano e no mito percebemos a primeira tentativa de se "conhecer" o mundo, ou de ao menos, atribuir-lhe um sentido.
Tempos depois, essas explicações míticas seriam questionadas por aqueles que iriam ser conhecidos como os primeiros filósofos, como os pré-socráticos. Mas, isso é assunto para um outro post. =P

Pois é, novo layout. Verei se volto a postar com mais frequência.
Bom fim de semana all.
=]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Moral final =P

Olás!
Após um longo período de reflexão que deixei para vós, voltei sem mais lições de moral, nesse caso, no duplo sentido mesmo. Vou encerrar esse assunto com um vídeo onde mostra claramente tudo que eu falei nos ultimos posts.
Tudo bem, agora você pode rir e quem sabe também ficar indignado como eu fiquei, com as reações das pessoas =3
No final do vídeo seguem as continuações que são ainda piores!

domingo, 3 de outubro de 2010

Moral (parte 2)

E então, conseguiu pensar sobre o que você faria e o que você não faria se tivesse esse anel mágico no qual sempre que você quisesse, o tornasse invisível? Pois bem, antes vamos esclarecer o que é a moral. É o conjunto do que um indivíduo se impõe ou proíbe a si mesmo, não para, antes de mais nada, aumentar sua felicidade ou seu bem-estar próprios, o que não passaria de egoísmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos do outro. A moral responde à pergunta: “O que devo fazer?” É o conjunto dos meus deveres – mesmo que, às vezes, como todo o mundo, eu os viole. É a lei que imponho a mim mesmo, ou ao menos que deveria me impor, independentemente do olhar do outro e de qualquer sanção ou recompensa esperadas.
O que devo fazer? e não O que os outros devem fazer? É o que distingue a moral do moralismo. A moral só é legítima na primeira pessoa. Dizer a alguém: “você tem de ser corajoso” não é dar prova de coragem. A moral só vale para si mesmo.
Tendo esse anel, você continuaria por exemplo a respeitar a propriedade e intimidade do outro, seus segredos, sua liberdade? Seria capaz de resistir, diferente de Giges, que na primeira oportunidade tratou de conquistar o poder? Aquela roupa na vitrine que você tanto quer, poderia simplesmente roubar, ninguem saberia, ninguem ira ver. Seria capaz de resistir à tantas tentações possíveis que esse anel o submeteria?
Em contraposição, o que, mesmo sendo invisível, você continuaria a se impor ou a se proibri, não por interesse, mas por dever, só isso é estritamente moral. O que você exige de você mesmo, não em função do olhar alheio ou de determinada ameaça exterior, mas em nome de certa concepção do bem e do mal, do dever e do proibido, do admissível e do inadmissível. Concretamente: o conjunto das regras a que você se submeteria, mesmo que fosse invisível e invencível.
A resposta de tudo isso cabe somente a você decidir, depende única e exclusivamente de você. E eu nem quero saber a resposta, pois como no texto citado no post anterior, "se alguém recebesse a permissão de que falei e jamais quisesse cometer a injustiça nem tocar no bem de outrem, pareceria (...) o mais insensato àqueles que soubessem da sua conduta; em presença uns dos outros, elogiá-la-iam, mas para se enganarem mutuamente e por causa do medo de se tomarem vítimas da injustiça.".
Porque agir moralmente é levar em conta os interesses do outro sem esperar nenhuma recompensa ou castigo possível, sem necessitar de nenhum outro olhar além do seu mesmo. Você vale única e exclusivamente pelo bem que faz, pelo mal que se proíbe fazer, sem nenhum outro benefício além da satisfação de fazer o bem – mesmo que ninguém jamais venha a saber do seu feito.

sábado, 2 de outubro de 2010

Moral

Vou dividir o tema desse post em dois ou mais, dependendo do quanto o assunto se estender. Hoje vou deixar apenas um trecho da obra de Platão, A Republica, onde relata o mito do anel encontrado pelo pastor Giges.

"Este homem era pastor a serviço do rei que naquela época governava Lídia. Certo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre outras maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçando -se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada.
Com esse anel no dedo, foi assistir à assembleia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tornou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tornou-se visível.
Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio: virando o engaste para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder.
Se existissem dois anéis desta natureza e o justo recebesse um, o injusto outro, é provável que nenhum fosse de caráter tão firme para preservar na justiça e para ter coragem de não se apoderar dos bens de outrem, sendo que poderia tirar sem receio o que quisesse da ágora, introduzir-se nas casas para se unir a quem lhe agradasse, matar uns, romper os grilhões a outros e fazer o que lhe aprouvesse, tornando-se igual a um deus entre os homens.
Agindo assim, nada o diferenciaria do mau: ambos tenderiam para o mesmo fim. E citar-se-ia isso como uma grande prova de que ninguém é justo por vontade própria, mas por obrigação, não sendo a justiça um bem individual, visto que aquele que se julga capaz de cometer a injustiça comete-a. Com efeito, todo homem pensa que a injustiça é individualmente mais proveitosa que a justiça, e pensa isto com razão, segundo os partidários desta doutrina. Pois, se alguém recebesse a permissão de que falei e jamais quisesse cometer a injustiça nem tocar no bem de outrem, pareceria o mais infeliz dos homens e o mais insensato àqueles que soubessem da sua conduta; em presença uns dos outros, elogiá-la-iam, mas para se enganarem mutuamente e por causa do medo de se tomarem vítimas da injustiça. Eis o que eu tinha a dizer sobre este assunto."

Deixo uma pergunta para reflexão, se você tivesse esse anel mágico, que o deixasse invisível sempre que você quisesse, o que faria?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ironia ou Ingenuidade?


Vivemos num mundo cheio de ironia. Existem pessoas que acreditam na necessidade da ironia para se defender do mundo. Passamos e ainda passo por isso o tempo todo. Acho que os adolescentes são os que mais têm ironia, de sobra até. Os jovens são sobrecarregdos de pessimismo, recebem as desilusões de herança. Eu recebo e espero ter sabedoria para não transmitir tanta desilusão do mundo para minha filha. Aprendemos a não falar com estranhos, não confiar totalmente em alguém que se diz amigo, não se entregar completamente a um grande amor. E quando não aprendemos apenas ouvindo, aprendemos "quebrando a cara". Pois quem já viveu isso sabe exatamente o que é conseguir confiar em alguém novamente após uma grande decepção anteriormente vivida. Pois é natural do ser humano se resguardar após algum sofrimento. Mas é preciso acreditar que é possivel sim um final feliz. Não é porque uma amizade, um trabalho, um amor não acabou bem que nunca mais poderá dar certo em outro lugar, com outra pessoa. Ou quem sabe até no mesmo lugar, ou com a mesma pessoa? É pra isso que existe o perdão. Excesso de cautela não é prevenção, é medo.
Ironia não é sinal de maturidade, muito menos ingenuidade é prova de imaturidade.
É preciso acreditar. Acreditar mais do que desconfiar. Assim acontence uma revolução, acreditando que é possivel. Revolução é feita com ingenuidade. É ir adiante por causa de um sentimento e não por prever que vai dar certo, que não vai se ferir, que vai ter alguma vantagem pessoal. Que fracasse com convicção, mas experimente os próprios desejos porque toda experiência será sempre uma situação de risco. Viva a vida com vontade!
E pra finalizar o post de hoje, deixo algo bem conhecido mas que sempre vale a pena propagar: " Dai-me, Senhor, serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para perceber a diferença". Faça bom uso. Viva, perdoe sempre e continue vivendo sabendo aproveitar os pequenos detalhes que dão espaço a existência da tão procurada felicidade.
Bom final de semana a todos!

Comments changed free for all.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

feelings


Para se ter consideração pelos outros, é preciso gostar de nós mesmos. Mas alguém nos ensina isso, a ter amor por nós mesmos? A criança aprende a amar através dos pais. O princípio do amor da criança é: “Eu amo porque sou amada, eu preciso desse amor e por isso eu também amo.”. O amor infantil é dependente. Por sua vez, o amor adolescente é narcisista e idealizado, “Eu amo você e você se torna perfeito por isso.”. Cada fraqueza tem uma retaliação através do amor diminuído ou do ódio. Tudo tem que ser perfeito, precisa-se da perfeição para amar.
Já o amor maduro diz: “Eu sou amado porque amo. Eu preciso de você porque te amo.” Esse amor maduro é menos idealizado e narcisista. É possível amar apesar das fraquezas e defeitos. É um amor voluntário e gratuito. A gente escolhe não só o amor, mas a dependência dele. E é uma dependência voluntária. Dar amor é uma necessidade existente dentro de nós, é uma motivação para a unidade. No ódio, estamos sozinhos, mas nele nos encontramos em nossa individualidade e crescer é aprender a amar o outro mesmo sabendo da existência do ódio dentro de si mesmo e do outro.
Para nosso crescimento, precisamos deixar muita coisa para trás, uma delas é a ausência do ódio. Pois o amor e o ódio estão interligados e permitir-se odiar é permitir-se amar. Lutar contra isso é um desperdício de energia. E somente quando completamos o difícil processo de integração de amor e ódio, do nosso bem e mal interior, quando aprendemos nos afastar do nosso ideal de perfeição e aceitar a nós mesmos junto com a agressividade que carregamos, podemos então nos tornar responsáveis.
E assim nos tornamos adultos responsáveis. E durante toda nossa vida, temos que abrir mão de tanta coisa, coisas que muitas vezes nos dói (e a dor as vezes chega a ser física mesmo), as vezes nos parecem impossíveis e apesar de não acreditarmos, certamente sobreviveremos. A primeira grande perda que todos tivemos que um dia suportar foi logo ao nascimento. E ao nascer, perdemos nossa maior e primeira união, a união mãe-filho. E todas as nossas experiências de perdas relacionam-se com essa perda original. E por toda nossa vida, buscamos uma união parecida, que possa nos satisfazer. Seja por meio de um momento de êxtase sexual, por meio da arte, por meio da religião, da natureza, da meditação e por meio das drogas.
É engraçado, mas na vida estamos em constante busa da uma conexão. E esse desejo eterno de união, dizem alguns psicanalistas, dá origem ao nosso desejo de volta - de volta, senão ao útero, pelo menos ao seu estado de união ilusória, chamada simbiose, um estado "pelo qual, bem no fundo do inconsciente original e primitivo... todo ser humano anseia".
Vivendo cada dia de cada vez, aprendendo a entender, e se não for possível, ao menos suportar cada perda necessária para pelo menos continuar vivendo enquanto é necessário.

sábado, 17 de julho de 2010

Friendship



Bom, primeiro respondendo a minha querida amiga Mya, após tempos difíceis, estou de volta e de cara nova! ^^ E quero aproveitar para falar sobre um assunto que tenho estudado, o amor e o ódio. Hoje vou falar um pouco sobre a amizade, que contém e está contida nesses dois sentimentos.
Amigos de conveniência, amigos históricos, amigos de encruzilhada, amigos de gereções diferentes e amigos que aparecem quando os chamamos a duas da manhã. Pois é verdade que muitos acreditam que amigos só são amigos quando nosso amor e nossa confiança são absolutos, quando compartilhamos os mesmos gostos, entusiasmos e objetivos. Quando sentimos ser possível revelar os mais profundos segredos da alma. Quando de boa vontade corremos para ajudá-los em tempos difíceis.
Mas crescer significa abandonar essa crença. Pois de modo geral, julga-se uma amizade pelo fato de a pessoa amparar ou não o amigo na adversidade. Mas existe outro ponto de vista, oposto e mais sutil, segundo o qual é relativamente fácil ficar ao lado do amigo na adversidade, e que o teste mais dificil da amizade consiste em ficar sincera  completamente ao lado do amigo nos momentos felizes. Pois, intercalados com os sentimentos de orgulho e de apoio, existem sentimentos de competição e inveja. E esses sentimentos estão presentes em todos nós.
Um exemplo é uma pessoa que diz ao psicanalista: "O que eu sinto e não é facil falar a respeito, é que ninguem devia ter tudo, não é justo. E para não sentir iveja, até mesmo dos amigos que amo verdadeiramente, preciso ter certeza de que não tem tudo de bom que a vida pode oferecer." E isso não significa que não seja amizade verdadeira. Mas é preciso aceitar (e essa é a parte mais difícil) e aprender a lidar com esses sentimentos contraditórios de amor e ódio. Mas sobre esse assunto, quero me estender mais em outra ocasião. Voltemos as amizades.
Nossos amigos por conveniência são aqueles que nossas vidas se cruzam por alguma ocasião como vizinhos, colegas de trabalho, pessoas com quem trocamos pequenos favores. Com eles raramente chegamos a uma grande intimidade. Mas não significa que essas amizades de ajuda mútua não tenham bastante valor.
Os amigos históricos são aqueles que podem até não estar tão próximos agora, mas que te conheceu em alguma época de sua vida, que foi uma pessoa que te marcou muito e você nunca se esquecerá, e nem ela de você.
Amigos de encruzilhada, como os amigos históricos, são importantes por causa do passado. Uma amizade compartilhada numa época crucial. E como amigos históricos, amigos de encruzilhada forjam elos com força suficiente para durar. Pode até ser pouco ativa mas sempre pronta pra ser reativada.
Os amigos de gerações diferentes é aquela em que o jovem dá mais ânimo ao mais velho e o mais velho orienta o mais jovem. Cada papel, de mentor ou de aprendiz, de adulto ou de criança, oferece seu próprio tipo de gratificação.
E por fim, nossos queridos e raros amigos íntimos. São aqueles com quem conseguimos manter intimidades profundas, sendo intimidade ter a confiança de que esse amigo não nos considere perfeito, mas vê nossas virtudes em primeiro plano e nossos defeitos como imagens maldefinidas. 
Enfim, seja qual for o tipo de amigo que você tenha, e acredito que muitos tenham de todos esses tipos, as amizades criadas podem ser fortes, e às vezes mais fortes do que as que criamos por meio da carne, são conexões sagradas, mas ainda assim, conexões imperfeitas. Pois assim são os relacionamentos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Timidez

A Timidez ou o Acanhamento pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal que interferem na realização dos objetivos pessoais e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente, mas não exclusivamente, em situações de confronto com a autoridade, interação com algumas pessoas: contato com estranhos e ao falar diante de grupos - e até mesmo em ambiente familiar.
Existe a timidez situacional, onde a inibição se manifesta em ocasiões específicas e a timidez crônica, onde a inibição se manifesta em todas as formas de convívio social. Pode apresentar formas menos graves, como minha vergonha de falar em público e até formas mais graves de fobia social, como é o caso da síndrome do pânico e os Hikikomoris, que hoje têm se tornado tão comuns no Japão.
Estudos mais recentes apontam causas físicas para a timidez. Pesquisas feitas nos Estados Unidos com crianças de até dois meses de vida, submetidas a tomografia computadorizada do cérebro, mostram que crianças tímidas apresentam mais atividade no lado direito do cérebro, enquanto crianças que não apresentam este quadro tem o lado esquerdo mais ativo. O que me fez lembrar do teste da bailarina, do post anterior, onde diz: "O hemisfério esquerdo guarda a nossa parte racional, enquanto o direito é responsável pela nossa emoção e imaginação criativa." Acredito que isso explica muita coisa, principalmente pelo fato de que somente após muita concetração eu consigo ver a tal bailarina girando em sentido anti-horário. Pena que mesmo após muito esforço, ainda é inevitável o suor nas mãos, o embaraço das palavras e aquele branco na hora de falar em público.
Eu ia linkar um teste de auto avaliação de timidez mas acredito que essa crônica de Luis Fernando Veríssimo explica exatamente como se sente um tímido. Então se você se identifica, acredite, não é mera coincidência.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Extraído de: Comédias da Vida Pública, L&PM Editores, pp. 324-325.

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.

Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!" só para chamar a atenção.

O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.

O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.

O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são urna multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E para finalizar esse post, deixo um vídeo da banda Pilot. Nele podemos ver os integrantes da banda bastante tímidos, as vezes com sorriso tímido e até mesmo virando o rosto da câmera. É, acontece com todo mundo, até mesmo com os famosos..



sábado, 16 de janeiro de 2010

feelings

Saudade. Lembrança de sentimentos, experiências, lugares ou eventos que uma vez trouxeram emoção, prazer, bem-estar e que agora provoca sentidos de querer viver novamente. Pode ser descrito como um vazio de alguém ou algo que deveria estar lá, em um determinado momento, mas não está. Nos faz sentir falta de modo a sentir dor, que as vezes, chega a ser física..
Procurando bons conselhos a mim mesma, encontrei um trecho de Martha Medeiros que descreve melhor esse sentimento que tanto persiste em existir.

"A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
[...]
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."

Que comecem as aulas!
quick! >.<

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Be yourself

William Blake - Satã observando o amor de Adão e Eva

Vontade de escrever coisas que não podem ser lidas. Escrever apenas para escrever, sem ter que dar explicações ou satisfações.. mas é pra isso que existe diário não é? Vou então mudar de assunto para falar um pouco de Willian Blake, na verdade não necessariamente dele, mas de parte dele. 
Ele foi um dos primeiros grandes poetas Românticos ingleses e também pintor e impressor. Viveu num período significativo da história, marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. Enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja e do estado. Foi uma voz solitária contra a marcha da ciência e da razão. Talvez por isso tenha sido visto por seus contemporâneos como um lunático e tenha desfrutado de pouco sucesso quando vivo. Falar sobre ele e suas obras renderiam muitos parágrafos mas quero hoje falar apenas de uma de suas frases que muito me significa: "Devo criar um sistema ou ser escravizado por outro homem. Não vou raciocinar nem comparar; meu negócio é criar.
E sua explicação para isso não é apenas criar por criar, é muito mais que isso, é exteriorizar você no mudo. Porque tudo que somos capazes de criar, por mais simples que seja, é uma forma de deixar uma marca de nossa existência no mundo. É uma forma de nos conhecer melhor, de sabermos mais sobre nós mesmos, porque dessa forma, estamos vendo algo que veio de dentro, somos nós, fora de nós. É mais que apenas se olhar no espelho, é se ver por dentro, exatamente como você é ou está. Seja pintando, escrevendo ou criando algo novo, algo seu. Sendo apenas, mas magnificamente, você.
E pra terminar meu pequeno post de hoje, mais uma frase de Blake:

"O mundo da imaginação é o mundo da Eternidade. É o seio para o qual nos dirigimos após a morte do corpo vegetativo. Esse mundo é infinito e Eterno, enquanto o mundo da procriação é finito e temporal. Todas as coisas, em suas Formas Eternas, estão dentro do corpo divino do Salvador, a verdadeira voz da Eternidade, a Imaginação Humana."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Será?


Por que temos tanta certeza sobre o que é melhor para a vida dos outros sendo que muitas vezes, tomamos decisões erradas para nossa própria vida, mas ainda assim, acreditamos saber o que é o correto para o outro?
Lendo uma reportagem sobre Eutanásia x Milagre, fiquei espantada e revoltada com tamanho desrespeito e brutalidade com que pessoas completamente desconhecidas acreditam saber qual a melhor solução para um problema que não estão e nem jamais viveram. A matéria é sobre uma mãe que cuida, há mais de 10 anos, de sua filha que está em coma, em estado vegetativo. Sob pontos de vista diferentes, duas pessoas com idéias antagônicas acreditam ter a solução para o problema dessa mãe que cuida com tanta dor, amor, sofrimento e persistência de sua filha.
De um lado, um médico que defende o direito de uma pessoa em coma deixar sua vida tomar seu curso natural, o que seria no caso a ortotanásia, onde se deixa acontecer a evolução de uma doença, sem interferência da ciência, para chegar a morte natural. Ou seja, pede para a mãe parar de prestar toda a assistência e cuidado com a filha e a deixe, por assim dizer, a seu destino para que a natureza faça o resto. De outro lado, uma religiosa que acredita que o correto é a mãe ter fé de que é possível o milagre da cura de sua filha. Bastaria apenas levar a filha à igreja para que ela fosse curada, não se esquecendo do detalhe de que é preciso ter fé, pois se uma tragédia não for revertida, o culpado, no caso culpada, seria a mãe, por não ter fé suficiente.
São apenas pontos de vista, opiniões de pessoas que como eu disse antes, completamente desconhecidas, que se colocaram no lugar da mãe. E ainda ousam dizer que se a mãe ama a filha de verdade, ela precisa tomar a decisão correta. Lembrando claro que para cada um, a sua própria decisão é a correta. Não levam em conta que além de estar passando por todo esse sofrimento, a mãe também tem uma opinião, dolorosa e difícil que precisa ser tomada não só para ela, mas para sua filha que já não tem mais o poder da decisão.
É um assunto delicado e complicado de se falar, porque por mais que nos coloquemos no lugar da mãe, ou até da filha, para "decidir" o que poderia ser melhor para elas, jamais iríamos viver o sofrimento dessa mãe. Porque se imaginar no lugar de uma pessoa, pode-se até chegar perto de entender o sofrimento, mas jamais sentir igual. Porque estar de fato é completamente diferente de se imaginar igual. E todo o resto que eu poderia falar sobre isso já é especulação porque existem coisas na vida que só entendemos como realmente é, quando vivemos.
E isso vale não apenas em casos de vida ou morte, mas em qualquer ocasião. Não é atoa que nossa dor parece as vezes tão maior que de outrem, é nossa dor e apenas quem sente sabe como é. Por mais que tentemos explicar como é, ou que outro se coloque em nossa pela, ele pode no máximo imaginar, mas jamais sentir pra poder julgar e dar o veredito final. Pena que temos tanta mania de acreditarmos estar com a razão.. sempre com a razão.
Créditos: Imagem do post

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Forgiveness . . .

"Resilience" By Katie M Berggren
Lendo uma matéria sobre Boris Cyrulnik, onde conta um pouco sobre como ele conseguiu superar a dor da perda de seus pais em um campo de concentração nazista e como ele conseguiu "dar a volta por cima", tornando-se médico psiquiatra, neurologista, escritor, psicanalista e especialista em resiliência, resolvi falar um pouco sobre isso.
Resiliência, uma palavra que eu conhecia até então somente de um jogo. Sendo essa, um atributo que reduz a chance de receber ataques críticos, reduzindo o dano tomado de jogadores em geral. Ela não é uma coisa inata e só pode ser adquirida de fontes externas como equipamentos, encantamentos e afins. Definição parecida mas diferente da vida real, onde resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas e superar as adversidades, sendo forte durante uma crise. Segundo Boris, "A resiliência é o antidestino". Pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. Para conseguí-la, além de outros fatores, um ingrediente importante é o perdão. E é sobre isso que quero falar hoje.
Segundo a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo "sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes coma a adversidade". Muitas vezes costumamos "cozinhar" nossa dor em banho maria para mostrar o quanto fomos maltratados. Mas a niguém importa nosso sentimento, nosso sentimento não faz diferença afinal, não tem nenhum efeito. O que importa são as ações e o que somos capazes de oferecer agora, o passado é unicamente um de cada um. Quando nos apegamos a dor antiga, assumimos o papel de mártires e ficamos a espera de alguém que possa nos salvar milagrosamente, sendo que a única pessoa que pode nos salvar, somos nós mesmos.
Muitas vezes não perdoamos por pensar que poderemos estar contribuindo com a injustiça. Quem errou não pode ser perdoado, pois pode aproveitar de nossa nobreza e cometer o mesmo erro e assim, continuar nos machucando. De que vale a pena então perdoar? De acordo com Fred Luskin, em seu guia "O poder do perdão" perdoar não é aceitar a crueldade, esquecer que algo doloroso aconteceu, nem aceitar o mau comportamento. O perdão é para nós, não para quem nos ofendeu. Ao perdoar, adimitimos que nada se pode fazer pelo passado e isso permite que nos libertemos dele.
Muitas vezes guardamos a ferida dentro da alma e a tiramos de vez em quando para fitá-la, ficamos relembrando dos tristes momentos que vivemos e assim, ficamos revivendo, na esperança de não esquecer para não deixar acontecer novamente nada parecido. Parece ser tão dificil abrir mão dessa lembrança, dessa dor, assim ficamos eternamente sofrendo por algo que não pode ser mudado.
Não conseguimos perdoar, nem quem nos causou mal, nem a nós mesmos. Muitas vezes, quando erramos, nos sentimos merecedores de castigo. Mas é preciso perdoar. Perdoar não é esquecer o erro, perdoar é começar de novo, com a experiencia adquirida mas sem os rancores que teimamos em guardar como tesouros, e que afinal nos fazem tão mal, sempre nos confundindo sobre as possibilidades do presente.
O perdão não é algo que se dê ao outro, mas um presente que damos a nós mesmos. Vamos então nos presentear porque ninguém se importa tanto com a gente como nós mesmos.
E pra finalizar gostaria de indicar um filme, "Um beijo a mais". É uma refilmagem do filme italiano "O Último Beijo" (L'Ultimo Baccio, 2001) que ainda não vi. Apesar da crítica, gostei dessa versão, principalmente da trilha sonora. É um filme que fala sobre relacionamentos e perdão. =]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Be different!

O que exatamente é ser diferente? Quem define o que é correto ou errado? O que não é igual, que é divergente do padrão, sendo padrão o modelo oficial, aquilo que serve de base ou norma para avaliação de qualidade. Esse padrão é definido socialmente e quem foge dele é excluído. As pessoas tem o hábito de criar um alvo, escolher alguem para descontar as frustrações, principalmente para fugir dos defeitos próprios.
Porque não podemos ser como somos? Mas o pior é ser diferente, não por escolha, mas por ter de alguma maneira, seja nascido, seja acidentalmente, se tornado diferente. Eis então a necessidade de se trabalhar a inclusão.
Um dos critérios que deve ser usado para trabalhar a inclusão é parar de se preocupar com as diferenças e valorizar as habilidades, motivando a potencialidade do individuo. E junto com a família, a escola tem importante papel nessa etapa, pois geralmente é na escola que começa a vida social de uma pessoa. E essa socialização precisa ser inclusiva para assim, a escola formar pessoas, apesar de diferentes do "padrão", com autonomia e confiança em si próprias.
Estou estudando sobre Inclusão: teoria e prática. Acessando o fórum de discussão sobre o tema, encontrei um trecho de ASCLEPIO (Médico, sociólogo, professor, contador de histórias, político contra partidos) - Publicação: November 01, 2006. Acho que vale a pena ler e refletir, então segue abaixo:

"A EXPRESSÃO infanticicidio do latim infanticidium sempre teve no decorrer da história o significado de morte de criança, especialmente no recém-nascido.
No império romano e também em algumas tribos bárbaras a prática do infanticídio era aceite para facilitar a distribuição de comida pela população. Eliminando-se crianças, diminuia-se a população o que permitia um controle administrativo distributivo por parte dos governantes.
Na actualidade a India é um país onde há elevado indice de infanticídio feminino, o que gerou um desiquilibrio entre os sexos na população de actualmente 50 milhões.
É também prática corrente na China em consequência da politica demográfica, vitimando sobretudo as crianças do sexo feminino.
A psicose pós-parto é reconhecida como intrumento legal de defesa em pelo menos 30 paises, nomeadamente quando os filhos têm menos de um ano de idade.
Peter Singer, Professor de Bioética na Universidade de Princeton, no seu livro "Ética Prática", vem provocar a comunidade internacional ao rever o conceito pessoa, a partir do qual defende a ideia de que só se deve viver uma vida qua valha a pena ser vivida. Incómodo e polémico argumenta que a vida de um feto (e de um embrião) não possui mais valor que a vida de um animal que para o mesmo apresenta um nível semelhante de racionalidade.
Considera o infanticidio moralmente justificável nas crianças com severas deficicências intelectuais. Vai mais longe ao considerar qua alguns animais são mais inteligentes que alguns seres humanos nomeadamente com grave dano cerebral, pelo que se devem tratar com igual ou até menos consideração. Considera inclusivamente que os animais têm mais direito à vida que estes seres humanos.
Também John Harris, membro do comité de ética da Associação Médica Britânica durante um debate veio sugerir que não há diferença moral entre abortar um feto e matar um bebé. Defende o infanticidio nos casos de uma criança com desordem genética que não sejam detectadas durante uma gravidez, considerando a situação moral, aceitável e admissivel à luz dos conhecimentos actuais.
Tudo a propósito de duas questões: uma o facto de em Portugal se reiniciar a discussão sobre a interrupção voluntária da gravidez em referendo, com todo o aproveitamento politico que nada trará de util a uma discussão pública (o Parlamento tem instrumentos para regulamentar permitindo uma poupança economica que só enriqueceria o país).
A outra situação: recentemente foi reanimada no Hospital da minha área uma doente oligofrénica, mongoloide (sindrome de Down) com 38 anos (acima da idade média de sobrevivência). Foi ligada a um ventilador, devido a uma pneumonia.
Tem tido uma evolução favorável. Ligada ao ventilador delirei com o seu sorriso de criança, infantil mas de felicidade presente muitas vezes ao longo das 24 horas. Nesses momentos será que é um ser pensante? e se é o que pensará? É lindo de se ver.
Estou confuso com a leitura dos eticistas, desiludido com algumas ideias, mas também pensativo:
Deveria a doente ter sido morta à nascença? Foi ético ter sido reanimada e ligada a um ventilador com a idade avançada para a doença que tem? Se estou confuso, não me confundam mais... E aquele sorriso?"
Outro dia ainda volto nesse assunto do trecho citado acima para falar um pouco sobre o desenvolvimento de crianças em seus primeiros meses de vida. É um assunto um pouco extenso então melhor deixar pra depois. =]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Voltar a ser criança..


"O melhor que existe no mundo são as crianças"
Fernando Pessoa

Eu iria falar sobre cuidados que os profissionais da educação infantil devem ter com as crianças, desde a iniciação do bebê no ambiente educacional, seja na creche, seja na escola de educação infantil. Eu iria falar também sobre algumas práticas que deveriam ser melhoradas nas escolas, onde muitas vezes a capacidade dos pequenos é subestimada. São tantas coisas que iria falar, mas devido a alguns ocorridos, hoje vou falar o quanto é bom ter uma criança por perto, o quanto podemos mais que ensinar aprender com elas.
Feliz foi Fernando Pessoa onde em seu poema "Liberdade" escreveu o verso acima, se formos pensar nisso, ele tem razão no que escreveu
. As crianças são pessoas que todos nós adultos já fomos um dia, e que infelizmente com o decorrer do tempo, adquirimos hábitos tão ruins.
Criança é sincera, fala o que pensa, e se as vezes diz algo "ruim", sua intenção nunca é prejudicar ou magoar alguém, pelo contrário, é somente para esclarecer algo ou tirar alguma dúvida. Criança é amiga, diferente dos adultos, ela é sem interesse mesmo, apenas pelo simples fato de amar de verdade. Criança não tem vergonha, podemos perceber isso em alguns de seus atos, que as vezes achamos tanta graça, mas para ela é uma coisa absolutamente normal. Criança tem inocência, acredita, confia, vive com intensidade cada momento. Às vezes ainda nem sabe da existência da morte e ainda assim consegue aproveitar cada momento de sua vida, todos os momentos são especiais.
Porque será que quando a criança cresce se torna tantas vezes tão diferente de sua essência inicial? Por que será que existem pessoas que quanto mais estuda, pior fica, no sentido de excelência humana? Torna-se mais arrogante, orgulhoso, esquece o que é praticar o bem pensando no bem para todos e não o bem próprio?
A cada dia que passa, acredito que deveria ser diferente, os adultos deveriam aprender com as crianças e não o contrário.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Esperança


Estudando sobre problemas sociais e um pouco de sociologia, um assunto me chamou a atenção, sobre um país, Butão. Conhecido como Druk-Yul, "A Terra do Dragão", o pequeno reino do Butão está localizado no alto da Cordilheira do Himalaia, em uma encosta seis mil metros abaixo das altas montanhas cobertas de neve que o separam do Tibet.
Até o início da década de 1970, uma brutal política de isolamento levou o Butão a concentrar os mais altos índices de pobreza, analfabetismo e mortalidade infantil do planeta. Em 1972, juntamente com a abertura econômica, o recém empossado rei Wangchuck criou o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), para redefinir o significado de desenvolvimento social e econômico.
A percepção dos cidadãos em relação a sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.
Hoje Butão – cuja capital, Thimphu, com 50 mil habitantes, não possui semáforos e só conheceu televisão e Internet em 1999 – vê os índices de analfabetismo e mortalidade infantil despencarem, a economia se recuperar e as belezas naturais continuarem intactas, com 25% de seu território delimitado por parques nacionais.
Desde o fim da década de 1990, observadores da ONU viajam ao país anualmente para estudar o jeito butanês de levar a vida. As mudanças foram reflexo da maneira como os butaneses passaram a observar a vida, valorizando somente o que realmente interessa. Eles se dizem, hoje, o povo mais feliz do planeta.
Toda essa história, é na verdade para falar sobre uma coisa, esperança. E
xistem muitas pessoas que estão agindo, apesar dos discursos apocalípticos. Podem-se ouvir pessoas falando coisas como "O aquecimento global vai acabar com tudo, a água está acabando, não há futuro!" ou "Pra que estudar se no futuro não vai ter emprego mesmo?" É preciso ter esperança sim de um futuro melhor, e para isso, o mais importante não é "Que mundo você quer deixar para o seu filho?" mas sim "Que tipo de pessoa você vai deixar para o mundo?"
Não adianta estarmos hoje, lutando e trabalhando para cuidar do planeta se "nossos filhos", que poderão ter problemas (ou não) no futuro, não souberem administrar os recursos. O mais importante então, é a preocupação com a educação, a educação da nova geração de jovens e crianças. Nós, atuantes (e futuros atuantes) na área da educação precisamos ser persistentes e cuidadosos nessa questão. E não podemos nunca perder a esperança, pois como já dizia Sérgio Britto, "Quando não houver mais solução, ainda há de haver saída... Ainda há de haver esperança, em cada um de nós, algo de uma criança..."