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domingo, 3 de outubro de 2010

Moral (parte 2)

E então, conseguiu pensar sobre o que você faria e o que você não faria se tivesse esse anel mágico no qual sempre que você quisesse, o tornasse invisível? Pois bem, antes vamos esclarecer o que é a moral. É o conjunto do que um indivíduo se impõe ou proíbe a si mesmo, não para, antes de mais nada, aumentar sua felicidade ou seu bem-estar próprios, o que não passaria de egoísmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos do outro. A moral responde à pergunta: “O que devo fazer?” É o conjunto dos meus deveres – mesmo que, às vezes, como todo o mundo, eu os viole. É a lei que imponho a mim mesmo, ou ao menos que deveria me impor, independentemente do olhar do outro e de qualquer sanção ou recompensa esperadas.
O que devo fazer? e não O que os outros devem fazer? É o que distingue a moral do moralismo. A moral só é legítima na primeira pessoa. Dizer a alguém: “você tem de ser corajoso” não é dar prova de coragem. A moral só vale para si mesmo.
Tendo esse anel, você continuaria por exemplo a respeitar a propriedade e intimidade do outro, seus segredos, sua liberdade? Seria capaz de resistir, diferente de Giges, que na primeira oportunidade tratou de conquistar o poder? Aquela roupa na vitrine que você tanto quer, poderia simplesmente roubar, ninguem saberia, ninguem ira ver. Seria capaz de resistir à tantas tentações possíveis que esse anel o submeteria?
Em contraposição, o que, mesmo sendo invisível, você continuaria a se impor ou a se proibri, não por interesse, mas por dever, só isso é estritamente moral. O que você exige de você mesmo, não em função do olhar alheio ou de determinada ameaça exterior, mas em nome de certa concepção do bem e do mal, do dever e do proibido, do admissível e do inadmissível. Concretamente: o conjunto das regras a que você se submeteria, mesmo que fosse invisível e invencível.
A resposta de tudo isso cabe somente a você decidir, depende única e exclusivamente de você. E eu nem quero saber a resposta, pois como no texto citado no post anterior, "se alguém recebesse a permissão de que falei e jamais quisesse cometer a injustiça nem tocar no bem de outrem, pareceria (...) o mais insensato àqueles que soubessem da sua conduta; em presença uns dos outros, elogiá-la-iam, mas para se enganarem mutuamente e por causa do medo de se tomarem vítimas da injustiça.".
Porque agir moralmente é levar em conta os interesses do outro sem esperar nenhuma recompensa ou castigo possível, sem necessitar de nenhum outro olhar além do seu mesmo. Você vale única e exclusivamente pelo bem que faz, pelo mal que se proíbe fazer, sem nenhum outro benefício além da satisfação de fazer o bem – mesmo que ninguém jamais venha a saber do seu feito.

sábado, 2 de outubro de 2010

Moral

Vou dividir o tema desse post em dois ou mais, dependendo do quanto o assunto se estender. Hoje vou deixar apenas um trecho da obra de Platão, A Republica, onde relata o mito do anel encontrado pelo pastor Giges.

"Este homem era pastor a serviço do rei que naquela época governava Lídia. Certo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre outras maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçando -se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada.
Com esse anel no dedo, foi assistir à assembleia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tornou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tornou-se visível.
Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio: virando o engaste para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder.
Se existissem dois anéis desta natureza e o justo recebesse um, o injusto outro, é provável que nenhum fosse de caráter tão firme para preservar na justiça e para ter coragem de não se apoderar dos bens de outrem, sendo que poderia tirar sem receio o que quisesse da ágora, introduzir-se nas casas para se unir a quem lhe agradasse, matar uns, romper os grilhões a outros e fazer o que lhe aprouvesse, tornando-se igual a um deus entre os homens.
Agindo assim, nada o diferenciaria do mau: ambos tenderiam para o mesmo fim. E citar-se-ia isso como uma grande prova de que ninguém é justo por vontade própria, mas por obrigação, não sendo a justiça um bem individual, visto que aquele que se julga capaz de cometer a injustiça comete-a. Com efeito, todo homem pensa que a injustiça é individualmente mais proveitosa que a justiça, e pensa isto com razão, segundo os partidários desta doutrina. Pois, se alguém recebesse a permissão de que falei e jamais quisesse cometer a injustiça nem tocar no bem de outrem, pareceria o mais infeliz dos homens e o mais insensato àqueles que soubessem da sua conduta; em presença uns dos outros, elogiá-la-iam, mas para se enganarem mutuamente e por causa do medo de se tomarem vítimas da injustiça. Eis o que eu tinha a dizer sobre este assunto."

Deixo uma pergunta para reflexão, se você tivesse esse anel mágico, que o deixasse invisível sempre que você quisesse, o que faria?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ironia ou Ingenuidade?


Vivemos num mundo cheio de ironia. Existem pessoas que acreditam na necessidade da ironia para se defender do mundo. Passamos e ainda passo por isso o tempo todo. Acho que os adolescentes são os que mais têm ironia, de sobra até. Os jovens são sobrecarregdos de pessimismo, recebem as desilusões de herança. Eu recebo e espero ter sabedoria para não transmitir tanta desilusão do mundo para minha filha. Aprendemos a não falar com estranhos, não confiar totalmente em alguém que se diz amigo, não se entregar completamente a um grande amor. E quando não aprendemos apenas ouvindo, aprendemos "quebrando a cara". Pois quem já viveu isso sabe exatamente o que é conseguir confiar em alguém novamente após uma grande decepção anteriormente vivida. Pois é natural do ser humano se resguardar após algum sofrimento. Mas é preciso acreditar que é possivel sim um final feliz. Não é porque uma amizade, um trabalho, um amor não acabou bem que nunca mais poderá dar certo em outro lugar, com outra pessoa. Ou quem sabe até no mesmo lugar, ou com a mesma pessoa? É pra isso que existe o perdão. Excesso de cautela não é prevenção, é medo.
Ironia não é sinal de maturidade, muito menos ingenuidade é prova de imaturidade.
É preciso acreditar. Acreditar mais do que desconfiar. Assim acontence uma revolução, acreditando que é possivel. Revolução é feita com ingenuidade. É ir adiante por causa de um sentimento e não por prever que vai dar certo, que não vai se ferir, que vai ter alguma vantagem pessoal. Que fracasse com convicção, mas experimente os próprios desejos porque toda experiência será sempre uma situação de risco. Viva a vida com vontade!
E pra finalizar o post de hoje, deixo algo bem conhecido mas que sempre vale a pena propagar: " Dai-me, Senhor, serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para perceber a diferença". Faça bom uso. Viva, perdoe sempre e continue vivendo sabendo aproveitar os pequenos detalhes que dão espaço a existência da tão procurada felicidade.
Bom final de semana a todos!

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dica de leitura


Olás! Hoje quero falar sobre e indicar também um autor para quem gosta de ficção com suspense, terror e fantasia. André Vianco, autor brasileiro que explora o gênero sobrenatural, com vampiros, anjos e batalhas entre o bem e o mal. Com mais de 10 obras publicadas desde 2001, o autor conseguiu e consegue conquistar leitores fiéis devido a seu gênero um tanto original na literatura ficcional nacional. Para ser bem exata, li apenas Os Sete e estou terminando de ler Sétimo. A história é completamente envolvente e cativante, do tipo que você só quer parar de ler quando chegar ao epílogo.
Quando terminei de ler Os Sete gostei tanto do final que não tinha certeza se queria conhecer Sétimo mais profundamente. Tendo em vista que Sétimo é um dos personagens de Os Sete, tão importante e com uma história tão ampla, literalmente falando, que teve que ter um livro só pra ele. Mas enfim, depois de aceitar a idéia, comecei a lê-lo e apartir de certo momento já fiquei hiper curiosa para chegar ao final, porque a história muda tanto, a todo momento acontece coisas que você nunca imaginaria, e talvez como eu, jamais quereria que acontecesse, mas esses fatos só nos prende ainda mais na leitura.
Bom, então para quem quer viajar um pouco, rir, chorar, arrepiar, assustar e se emocionar com uma história nonsense, isso porque talvez eu ainda não acredite em vampiros, está aí uma leitura que indico.